A maioria das agências tradicionais de SEO não fracassa em AEO por falta de competência. O entrave está no modelo de custos, no processo de entrega e nos indicadores de desempenho — todos orientados pela meta de “chegar ao primeiro lugar no Google”. Quando ChatGPT, Perplexity ou Google AI Overviews respondem diretamente à pergunta do usuário, sem que ele sequer visite o site, essas agências geralmente não têm incentivo nem ferramentas para acompanhar uma questão essencial: “A IA está citando a sua marca?”. É esse o critério que deve orientar a escolha, não a diferença entre siglas.
Primeiro, vamos organizar os conceitos.
Três siglas costumam ser tratadas como se fossem equivalentes, mas representam entregas diferentes. SEO busca posicionar páginas na lista de links dos resultados de busca e é medido por ranking e tráfego orgânico. AEO trabalha a presença nas respostas diretas — o trecho que uma IA ou um resumo em destaque extrai e apresenta ao usuário — e é medido pela frequência de seleção e citação. GEO tem um escopo mais amplo: trata da visibilidade em mecanismos generativos, incluindo se a IA menciona espontaneamente sua marca, usa seus dados e apresenta sua empresa entre as opções recomendadas ao responder determinada pergunta.
Em resumo: SEO disputa uma posição no ranking; AEO, um trecho que possa ser lido como resposta; GEO, um lugar entre as respostas que a IA tende a formular. Quando uma empresa só domina o primeiro trabalho, mas vende os outros dois como simples extensões, o projeto geralmente já começa com um problema de base.
Onde as agências digitais tradicionais costumam travar?
Não se trata de falta de vontade para aprender. É a própria estrutura da operação que dificulta a mudança. Na prática, quatro barreiras aparecem com frequência.
- Métricas inadequadas: o relatório mensal continua mostrando ranking de palavras-chave e tráfego no GA, enquanto as citações por IA acontecem fora do site e nem sequer entram na análise. Você paga pelo serviço, mas não consegue saber se o AEO está funcionando.
- Mentalidade de fábrica de conteúdo: a equipe está acostumada a publicar artigos longos, repetir palavras-chave e esconder a conclusão no meio de listas. Os mecanismos de IA tendem a favorecer respostas apresentadas logo de início, parágrafos autossuficientes e alta densidade factual — uma lógica quase oposta.
- Pouca experiência com dados estruturados: FAQPage, Article, Organization Schema e marcação de entidades formam a base do AEO. Muitas equipes orientadas à venda se limitam a pedir um trecho de código, sem projetar a estrutura para aumentar as chances de citação.
- Ausência de ferramentas para acompanhar a visibilidade em IA: a agência não consegue responder “Quantas vezes o ChatGPT mencionou nossa marca no mês passado?” porque não coleta esse tipo de dado.
A primeira barreira é a mais grave. Não dá para gerenciar o que não se enxerga. Se uma agência não consegue demonstrar os resultados de AEO, é natural que continue direcionando recursos para rankings visíveis. Nesse cenário, o AEO permanece apenas como um adicional na proposta comercial.
O que uma agência de GEO faz de diferente?
Em uma equipe especializada em GEO, a sequência da entrega se inverte. Primeiro, a agência identifica as lacunas de presença nos principais mecanismos de IA. Depois, decide quais conteúdos e estruturas precisam mudar. Por fim, mantém o monitoramento contínuo. Em um diagnóstico de GEO conduzido pela Tenten, por exemplo, uma análise de 30 dias examinou três pontos ao mesmo tempo: quem os mecanismos de IA citavam nas perguntas centrais da categoria; se a estrutura do site podia ser extraída com clareza; e se os concorrentes já ocupavam espaço nas respostas generativas. É uma abordagem diferente da auditoria tradicional de SEO, que costuma se limitar à saúde técnica e às lacunas de palavras-chave.

Seis perguntas para descobrir se uma agência realmente sabe fazer AEO
Ao avaliar uma agência, não basta ouvir “nós também fazemos AEO”. Faça estas seis perguntas e preste atenção à objetividade das respostas.
- Como vocês medem os resultados de AEO? Se a resposta continuar restrita a ranking e tráfego, a agência provavelmente não executa esse trabalho de verdade.
- Como vocês acompanham a frequência de menções à marca no ChatGPT, Perplexity e Google AI Overviews?
- Posso ver um modelo de relatório factual sobre citações por IA?
- Quais partes da estrutura do conteúdo vocês efetivamente alteram?
- Vocês implementam os dados estruturados e o código necessário?
- Qual é o próximo passo se, depois de três meses, a IA ainda não citar minha marca?
Isso significa que você deve substituir todos os fornecedores atuais de SEO? Não necessariamente.
SEO e GEO não são excludentes. Fundamentos como saúde técnica, velocidade do site, links internos e gestão do orçamento de rastreamento também importam para os mecanismos de IA: se os robôs não conseguem acessar uma página, a IA também não consegue interpretá-la. Uma divisão de trabalho mais lógica é manter a equipe atual responsável pela base técnica de SEO e trazer um parceiro de GEO capaz de monitorar a visibilidade em IA e estruturar conteúdos para extração. Assim, uma frente cuida da qualidade da resposta e a outra, da presença nos mecanismos generativos. Integrar as duas especialidades costuma ser mais realista do que contratar um pacote que promete fazer tudo.
Para saber se uma agência realmente faz AEO, ignore o discurso e verifique se ela consegue entregar um relatório que mostre quando e como a IA cita a sua marca.
Voltando à pergunta inicial: agências digitais tradicionais conseguem fazer AEO? A maioria trava logo no primeiro passo, porque isso exige rever a lógica de cobrança já estabelecida. Se o fornecedor não consegue avançar nesse ponto, comece medindo suas próprias lacunas: onde, exatamente, sua marca aparece nos mecanismos de IA? Para entender onde está essa linha no seu caso, podemos agendar um diagnóstico de GEO de 30 minutos e testar, na prática, perguntas relacionadas à sua categoria.



