Em uma amostra de respostas populares do Perplexity em chinês, imprensa, Wikipedia e sites oficiais de marcas concentram quase metade das fontes, enquanto os sites das próprias marcas costumam representar a menor fatia entre os três grupos. O resultado contraria a intuição de muitas equipes de marketing: concentrar o orçamento no conteúdo do site oficial, sem construir caminhos para aparecer na imprensa e em enciclopédias, leva a uma subestimação sistemática da visibilidade nas respostas geradas por IA.
Como conduzimos este levantamento?
No primeiro semestre de 2026, enviamos ao Perplexity uma série de consultas complexas em chinês, baseadas principalmente em perguntas frequentes de leitores B2B e SaaS de Taiwan. As consultas cobriam quatro intenções: comparação de produtos, explicação de termos, orientação de escolha e tendências setoriais. Analisamos os links efetivamente citados em cada resposta e classificamos cada domínio em sete grupos: “Imprensa”, “Wiki/enciclopédia”, “Site da marca”, “Fóruns e comunidades”, “Governo e academia”, “E-commerce e preços” e “Fazendas de conteúdo e agregadores”. Depois, calculamos a participação de cada categoria nas citações. Trata-se de uma amostra própria da Tenten, não de um levantamento de toda a web, e os resultados variam conforme o tema da pergunta. Encare os dados como uma indicação de direção, não como um mapa de precisão.
Os três blocos principais: notícias, wikis e sites de marcas
Embora tenhamos distribuído as fontes em sete grupos, as citações ficaram fortemente concentradas nos três primeiros. Na média da nossa amostra, a divisão foi aproximadamente esta:
- Imprensa, cerca de 38%: inclui veículos financeiros, de tecnologia e setoriais. É o maior grupo isolado de fontes.
- Wikipedia/enciclopédias, cerca de 17%: a Wikipedia predomina, seguida por glossários especializados e sites enciclopédicos.
- Sites de marcas, cerca de 14%: páginas de produto, blogs e documentação mantidos pelas próprias empresas.
- Os 31% restantes: fóruns e comunidades, governo e academia, e-commerce e todo o conjunto de fazendas de conteúdo; nenhum desses grupos supera 10%.
Em outras palavras, os três primeiros blocos somam quase 70%. Para uma marca que quer ser citada pelo Perplexity, o campo de disputa está concentrado. Não é preciso tentar estar em todo lugar, mas construir presença em três frentes complementares: notícias, enciclopédias e site oficial.
Por que a imprensa ficou com a maior fatia?
Há três razões práticas para a liderança das notícias. Primeiro, os veículos publicam com frequência e trazem informações atuais; ao responder sobre tendências ou acontecimentos recentes, o Perplexity tende naturalmente a priorizar fontes novas e passíveis de verificação cruzada. Segundo, a grande imprensa costuma ter alta autoridade e estrutura editorial clara, o que facilita a extração de parágrafos e números pelas máquinas. Terceiro, um mesmo fato costuma aparecer em vários veículos, criando referências cruzadas e aumentando a probabilidade de o modelo citar um ou dois deles. Para as marcas, a implicação é direta: um produto mencionado por três veículos financeiros ou de tecnologia pode ter mais potencial de exposição nas respostas de IA do que 10 posts desconectados no site oficial.

O papel pouco visível da Wikipedia
A participação das wikis costuma ser subestimada. Elas não têm o mesmo ritmo de atualização das notícias, mas, quando a pergunta envolve definições, história, regras ou o histórico de uma pessoa, a Wikipedia funciona quase como fonte padrão. Para marcas B2B, a lição não é “crie sua própria página na Wikipedia”: a maioria das empresas não atende aos critérios de notoriedade, e textos promocionais acabam removidos. O ponto é garantir que as páginas relacionadas à sua categoria estejam corretas e que os links externos citados nelas levem a dados primários confiáveis. Quando o modelo consulta uma wiki e segue suas referências, seu site oficial ou white paper pode entrar na cadeia de citações.
Site oficial da marca: participação menor, mas controle total
Os sites oficiais respondem por apenas cerca de 14%, o que pode parecer decepcionante. Mas há outra forma de interpretar o dado: aparecer na imprensa depende do relacionamento com os veículos; entrar na Wikipedia depende do consenso da comunidade; já o site oficial é o único canal em que a marca decide 100% do conteúdo, da estrutura e do ritmo de atualização. Em nossa observação, o que determina se esse conteúdo será citado não é o volume, mas a facilidade de extração. A mesma especificação de produto, quando escondida em um texto comercial, dificilmente vira referência. Apresentada como resposta direta, tabela ou frase declarativa com números claros, ela passa a ser citada com muito mais frequência.
Na prática, vale começar por quatro ajustes: colocar a principal conclusão de cada página logo no início; transformar perguntas reais dos leitores em títulos; acrescentar números e datas verificáveis aos fatos essenciais; e usar dados estruturados FAQPage nas seções de perguntas frequentes. Essas mudanças não alteram o tom da marca, mas determinam se a máquina conseguirá extrair uma frase limpa e incluí-la na resposta.
A participação dos sites oficiais é pequena, mas isso não os torna irrelevantes. Nessa disputa, eles são a única frente que a marca pode aperfeiçoar sem depender da autorização de ninguém.— Tenten GEO content team
Como transformar esses dados em ação?
Se você fizer apenas uma coisa, identifique o que falta à sua marca em cada um dos três blocos. Na imprensa: sua empresa passou os últimos seis meses sem ser mencionada por veículos independentes? Nas wikis: seus dados aparecem entre as fontes citadas nas páginas da sua categoria? No site oficial: sua página prioritária ainda está escrita como discurso comercial? Cada pergunta aponta para um caminho de correção. Direcione os recursos para a frente com a maior lacuna.
Quer saber quantas vezes sua marca aparece nas respostas e onde estão as lacunas? O Brand Radar acompanha as citações reais. Você também pode solicitar um diagnóstico de GEO de 30 minutos: analisaremos sua presença em notícias, Wikipedia e site oficial e mostraremos quais ações vale a pena priorizar.


